Juiz aceita pedido de Recuperação Judicial da OAS

Juiz aceita pedido de Recuperação Judicial da OAS

São Paulo, 2 de abril de 2015 -  O juiz Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, deferiu ontem o pedido de Recuperação Judicial feito por nove empresas do Grupo OAS.
 
De acordo com a manifestação de Costa, a Construtora OAS, a OAS S.A., a OAS Imóveis S.A., a SPE Gestão e Exploração de Arenas Multiuso, a OAS Empreendimentos S.A., a OAS Infraestrutura S.A., a OAS Investments Ltd., a OAS Investments GmbH e a OAS Finance Ltd. têm, a partir de agora, 60 dias para apresentar o Plano de Recuperação dos débitos aos credores e fornecedores contraídos até 31 de março de 2015.
 
Todas as dívidas que forem assumidas a partir do mês de abril serão integralmente cumpridas. Pagamentos de salários e benefícios de mais de 100 mil colaboradores diretos ou indiretos não serão afetados pelo processo de Recuperação Judicial.
 
O escritório Alvarez & Marsal Consultoria Empresarial do Brasil foi nomeado Administrador Judicial. Compete ao Administrador Judicial fiscalizar as operações das empresas em Recuperação Judicial, verificar a relação de credores, presidir a Assembleia Geral de Credores e, por fim, fiscalizar o cumprimento do Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores. A Alvarez & Marsal não terá nenhuma função administrativa em qualquer uma das empresas do Grupo OAS.
 
A iniciativa de entrar em Recuperação Judicial foi o melhor caminho encontrado pelo Grupo OAS para renegociar suas dívidas com credores e fornecedores diante da intensa restrição de crédito verificada desde o final do ano passado para as empresas do setor de infraestrutura em razão das investigações na Petrobras.
 
"Com quase 40 anos de vida, a OAS se vê impelida a tomar medidas que lhe permitam continuar a operar num processo saudável de renegociação das dívidas, preservando milhares de empregos diretos e indiretos”, afirmou Fabio Yonamine, presidente da OAS Investimentos.
 
Segundo Diego Barreto, diretor de Desenvolvimento Corporativo da Construtora OAS, o Grupo "levará à mesa desse processo contribuições muito distintas das observadas em outras Recuperações Judiciais. Uma companhia com recursos para manter suas atividades, ativos valorosos e uma equipe de gestores profissionais oferece a clientes, credores e fornecedores um ambiente muito mais seguro para as negociações".
 
A OAS vai vender alguns de seus ativos no processo de Recuperação Judicial para dar segurança aos investidores de que não correrão risco de ter seu negócio contestado na Justiça pelos credores do Grupo. O desinvestimento em ativos é motivado também pela decisão de concentrar esforços naquilo que é sua principal vocação, a construção pesada.
 
Serão colocadas à venda a participação da OAS S.A. na Invepar, a fatia no Estaleiro Enseada, a OAS Empreendimentos, a OAS Soluções Ambientais, a OAS Óleo e Gás e a OAS Defesa. Também serão negociadas a Arena Fonte Nova e a Arena das Dunas.
 
A Construtora OAS entra Recuperação Judicial por questões técnicas, já que é garantidora dos financiamentos do Grupo, não por falta de liquidez.
 
"A Construtora OAS aposta em uma governança profissionalizada, na remodelação corporativa, na revisão de seus processos de gestão, no fortalecimento das áreas de compliance e auditoria interna, além de diretrizes rígidas para reduzir riscos na condução do negócio. O objetivo é tornar a empresa mais enxuta, mais ágil, mais competitiva, focada em produtividade e custos", declarou Yonamine.
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